PRIMEIRA CONSULTA AO GINECOLOGISTA

17/08/2014 10:05

Nem faz tanto tempo assim que as mocinhas menstruavam mais tarde e iam pela primeira vez ao ginecologista, já casadas, depois que engravidavam. Antes disso, só consultavam um médico, na maior parte das vezes um clínico geral, velho amigo da família, se tivessem algum problema sério de saúde.

Atualmente, as meninas menstruam mais cedo e o início da vida sexual é mais precoce. Teoricamente, antes que isso aconteça, é o momento ideal para a primeira consulta ao ginecologista. O problema é que muitas mães têm medo de que levar a filha adolescente ao ginecologista possa representar um incentivo ao início de sua vida sexual. Puro engano! Quando a garota decide que chegou seu momento, com ou sem a aprovação materna, iniciará a vida sexual e é melhor que esteja informada e protegida contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) e gravidez.

O primeiro passo é orientar as mulheres para que orientem bem suas filhas. Atualmente, há aulas de orientação sexual nas escolas, mas como se trata de uma atividade curricular, nem sempre as meninas prestam a devida atenção às explicações, assim como nem sempre é transmitido o que de fato importa. Algumas dominam a teoria, mas não têm a mínima noção de como ela pode ser aplicada em seu corpo no dia a dia. Conhecem o mecanismo menstrual, mas não entendem como funciona a própria menstruação. Por isso é fundamental a mãe estar preparada para transmitir à filha a informação necessária a fim de que não se assuste com a menstruação. Ela precisa também tomar cuidado para não lhe transferir todos os seus temores e sofrimentos. Muitas mulheres continuam sentindo cólicas e tensão pré-menstrual, embora atualmente haja recursos terapêuticos para evitá-las.

A partir do momento em que a menina menstruou, se sentir necessidade, deve ser levada ao ginecologista. Nunca deve ser levada à força, contra vontade. A maneira como a mãe encara a imagem do médico ao longo da vida, é de fundamental importância. Se cresceu ouvindo a mãe reclamar das idas ao consultório, não verá com bons olhos a primeira consulta. Agora, se a mãe considera o ginecologista uma pessoa amiga, que vai ajudá-la a conviver melhor com seus problemas ou a resolvê-los satisfatoriamente, a menina aceitará a ideia com tranquilidade. Uma sugestão é a garota ir com a mãe a uma das consultas não como cliente, mas como simples acompanhante.

O ideal seria que a primeira consulta fosse feita antes do início da vida sexual. Todavia, a experiência diz que as meninas procuram o ginecologista depois disso. A maioria o faz por sugestão da mãe que, ao tomar conhecimento do fato, encaminha a filha ao médico não para fazer exames, mas para receber orientação em termos de prevenção de doenças e de gravidez indesejada. Nessa ocasião, é importante tranquilizar a menina a respeito do exame ginecológico, porque o maior temor é que ele seja traumático. Nesse primeiro contato, não há necessidade de exames nem da mesa ginecológica. O mais importante é o médico cativar a adolescente e convencê-la de que tem um aliado com o qual poderá contar para qualquer emergência, e que ela pode procurá-lo sem depender da mãe para trazê-la ou não.

É importante, ainda, a adolescente saber que tudo o que conta ao médico, desde que não a ponha em risco nem tenha um comprometimento sério demais, é um segredo entre os dois que nunca será revelado. Por isso, pode ir ao médico de confiança da mãe, abrir o coração, que ele jamais vai contar o que ouviu. Esse é um dos grandes medos da adolescente. Portanto, é fundamental que ela saiba que todos os médicos têm o dever ético e profissional de manter sigilo absoluto sobre o que disseram seus clientes.

A mãe deve levar a menina ao ginecologista para conversar e receber informações importantes. Ela precisa saber que o exame ginecológico, se absolutamente necessário, será feito na presença da mãe, se a menina assim o desejar.

É imprescindível desmistificar a primeira ida ao ginecologista na medida em que não implica um exame minucioso. A menina não está doente. Tudo vai acontecer de acordo com suas necessidades e de acordo com sua vontade.

A iniciação da vida sexual vai ocorrer com ou sem o aval do ginecologista ou da própria mãe. A visita ao ginecologista pode representar mais um instrumento para a menina agir de forma mais segura, se ou quando isso acontecer. Muitas mães acham que evar a filha ao ginecologista pode ser sinal de que estão corroborando com a ideia de liberação da sexualidade da filha, o que não é verdade. De fato, o que está fazendo é cuidar da saúde física e mental da filha.