OBESIDADE INFANTIL

25/05/2014 08:44

Antigamente uma criança rechonchuda era admirada como saudável. Havia razão: num mundo sem antibióticos nem saneamento, assolado por epidemias de fome, a criança mais gordinha levava vantagem na seleção natural. A necessidade de manter a prole superalimentada nos períodos de fartura deve ter sido tão essencial à sobrevivência da espécie humana que, ainda hoje, as mães enlouquecem quando os filhinhos fazem fita na hora do almoço.

A disponibilidade atual de alimentos altamente calóricos, entretanto, provocou um aumento explosivo nos casos de obesidade infantil em diversos países do mundo, entre os quais o nosso. A prevalência elevada de crianças obesas não ocorreu apenas nas sociedades industrializadas ou nas classes privilegiadas dos países em desenvolvimento. Graças ao acesso generalizado à alimentação de conteúdo energético alto e à falta de espaço para práticas esportivas, os habitantes mais pobres das grandes cidades são especialmente vulneráveis ao ganho excessivo de peso.

A pediatria moderna considera a obesidade infantil uma doença de consequências potencialmente devastadoras que afeta diversos sistemas do organismo. Estudos demonstram que, em analogia aos adultos, o excesso de peso das crianças está associado a diabetes, hipertensão, puberdade precoce, colesterol e triglicérides elevados, inflamações crônicas, aumento na produção de insulina, tendência à coagulação acelerada do sangue e alterações nas paredes internas das artérias que mais tarde levarão aos ataques cardíacos e aos derrames cerebrais. Um estudo conduzido na Inglaterra recentemente mostrou que ter sido obeso na infância está associado à duplicação do risco de infarto do miocárdio aos 57 anos de idade.

Além dessas complicações tardias, estão ligados à obesidade infantil transtornos renais, musculares, ósseos, articulares, hepáticos, respiratórios (asma, apnéia do sono e intolerância aos exercícios físicos vigorosos) e complicações neurológicas. Distúrbios
psicossociais conseqüentes à auto-estima rebaixada, à deformação da auto-imagem e à visão preconceituosa da sociedade, que estigmatiza a criança obesa, podem levar a quadros depressivos na adolescência, abuso de drogas e transtornos de ansiedade.

Exames

O médico realizará um exame físico e fará perguntas sobre o histórico médico do seu filho, hábitos alimentares e rotina de exercícios. Exames de sangue podem ser realizados para saber se há problemas com a tireoide ou endócrinos, que podem levar ao ganho de peso. Especialistas em saúde infantil recomendam que a criança seja examinada quanto à obesidade aos 6 anos. O índice de massa corporal (IMC) da criança é calculado usando peso e altura. O médico pode usar o IMC para estimar quanta gordura corporal seu filho carrega. No entanto, medir a gordura corporal e diagnosticar a obesidade em crianças é diferente do que medir em adultos.

Tratamento de Obesidade infantil

Dando apoio ao seu filho

O primeiro passo para ajudar seu filho a chegar em um peso saudável é consultar seu médico. Ele irá ajudá-lo a estabelecer metas saudáveis para perda de peso e ajudar como acompanhamento e suporte. Tente fazer com que a família toda adote o plano de perda de peso, mesmo se a perda de peso não for a meta de todos. Planos para perda de peso para crianças têm por foco hábitos saudáveis. Um estilo de vida saudável é bom para todos.

Mudando o estilo de vida do seu filho

Ter uma dieta balanceada significa que seu filho deve consumir os tipos e quantidades certos de alimentos e bebidas para manter seu corpo saudável.

  • Saber o tamanho das porções que as crianças devem comer para satisfazer suas necessidades corporais por nutrientes, sem ingerir muito de um e pouco de outro.
  • Estocar alimentos saudáveis na sua despensa e geladeira. 
  • Escolha uma variedade de alimentos saudáveis de cada grupo de alimentos e os coma em todas as refeições.
  • Saiba mais sobre alimentação saudável e como comer fora de casa.
  • Escolher lanches e bebidas saudáveis para seus filhos é importante,mas pode ser um desafio. 
  • Frutas e legumes são boas escolhas para lanches saudáveis. Eles são ricos em vitaminas e pobres em calorias e gordura. Algumas bolachas e queijos também são bons lanchinhos.
  • Evite junk-food como batatinha frita, doces, bolo, biscoitos e sorvete. A melhor maneira de manter as crianças longe dessas comidas ou outros lanches não saudáveis é não tê-los em casa.
  • Evite refrigerantes, bebidas esportivas e águas saborizadas, especialmente aqueles feitos com açúcar ou glucose de milho. Essas bebidas são ricas em calorias e podem levar ao ganho de peso, mesmo em crianças ativas. Se necessário,escolha bebidas com adoçantes artificiais.
  • As crianças não devem assistir à mais de 2 horas de TV por dia. Isso pode ser difícil, pois assistir à TV faz parte de sua rotina diária. 
  • As crianças devem ter muitas chances de brincar, correr, andar de bicicleta e fazer esportes durante o dia. Os especialistas recomendam 60 minutos de atividade moderada todos os dias. Atividade moderada significa que sua respiração e batimentos cardíacos estão mais rápidos que o normal. Se seu filho não gostar de esportes, encontre maneiras de motivá-lo a ser mais ativo. 

O que mais deve ser considerado

  • Você pode ver anúncios de suplementos e medicamentos fitoterápicos que dizem ajudar na perda de peso. Mas muitas dessas alegações não são verdadeiras, e alguns desses suplementos podem ter graves efeitos colaterais. Converse com o pediatra antes de dá-los ao seu filho.
  • Drogas para perda de peso não são recomendadas para crianças.
  • A cirurgia bariátrica é atualmente realizada em algumas crianças, mas somente depois que elas param de crescer.