LÚPUS: DOENÇA SILENCIOSA QUE ATINGE MAIS AS MULHERES

08/06/2014 10:30

 

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune a longo prazo que pode afetar a pele, as articulações, os rins, o cérebro e outros órgãos. Não há dados exatos sobre o número de indivíduos com a doença, mas a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) estima que haja 65 mil pessoas com lúpus no Brasil, sendo que 90% dos casos são mulheres. Acredita-se que uma em cada 1.700 mulheres brasileiras tenha a doença.

A causa da doença ainda é desconhecida pelos médicos, entretanto, existem fatores genéticos, hormonais e ambientais que influenciam o surgimento do lúpus. É importante destacar que ele  não é contagioso, pois essa é uma doença autoimune. A enfermidade está ligada a uma predisposição genética e atinge principalmente as mulheres na idade fértil, quando a produção de estrógeno (hormônio feminino), um autoformador de anticorpos, é alta. Entretanto, pode atingir indivíduos em qualquer faixa etária. O que pode contribuir para o aparecimento da doença para aqueles que já têm predisposição são algumas infecções virais ou bacterianas, medicamentos e exposição solar.

Irmãos de pacientes com lúpus têm um risco elevado de desenvolver a doença. Entre mães e filhos o risco também é alto, mas o fato de o indivíduo ser  suscetível à doença  não significa que ele irá necessariamente desenvolvê-la. Apesar disso, a paciente lúpica pode engravidar normalmente, desde que haja um acompanhamento médico adequado e a doença esteja sob controle há pelo menos seis meses.

Diagnóstico e Tratamento

Para ser diagnosticado com lúpus, é preciso ter 4 dos 11 sinais típicos da doença. O médico realizará um exame físico e auscultará seu tórax com um estetoscópio. Um som anormal chamado atrito pericárdico ou atrito pleural poderá ser escutado. Um exame do sistema nervoso também pode ser realizado.

Os exames usados para diagnosticar o lúpus incluem:

  • Exames de anticorpos, incluindo teste de anticorpos antinucleares
  • Hemograma completo
  • Radiografia do tórax
  • Biópsia renal
  • Uranálise

Essa doença também pode alterar os resultados dos seguintes exames:

  • Anticorpo antitireoglobulina
  • Anticorpo microssômico antitiroide
  • Componentes do complemento (C3 e C4)
  • Teste de Coombs direto
  • Crioglobulinas
  • Taxa de sedimentação de eritrócitos (TSE)
  • Exames de sangue para função renal
  • Exames de sangue para função hepática
  • Fator reumatoide

Normalmente o diagnóstico é postergado em um ano, até um ano e meio, o que não deveria ocorrer, porque a Sociedade Brasileira de Reumatologia realiza diversos cursos de atualização de clínicos, para que eles consigam identificar a doença o mais rápido possível e encaminhar logo o paciente para um reumatologista. Então, os sintomas mais comuns são dores articulares, febre, baixa produção de urina e, de uma hora para outra, o paciente pode apresentar diversas lesões na pele quando se expõe ao sol, o que chamamos de fotossensibilidade. Essa vermelhidão ocorre principalmente na face, mais especificamente nas maçãs do rosto, e as manchas costumar ter aparência de asa de borboleta.

Não há cura para o lúpus. O objetivo do tratamento é controlar os sintomas. O lúpus se caracteriza por períodos de atividade, quando o organismo passa a ser “atacado” e períodos de remissão, quando a doença fica inativa. O objetivo do tratamento, que pode incluir o uso de protetor solar, anti-inflamatórios, corticoides e imunossupressores, é evitar que o paciente passe por esses períodos de atividade da doença. Nos últimos anos, a sobrevida do paciente com lúpus tem sido cada vez maior.

É importante ressaltar que a pessoa com lúpus pode ter uma vida normal. Ela necessita ter alguns cuidados básicos, como evitar exposição excessiva ao sol, não fumar, tomar cuidado com a taxa de colesterol, fazer atividade física e seguir o tratamento a risca.