Hemograma, mielograma, coagulograma: como um erro de interpretação pode virar uma doença

13/04/2014 16:04

 

 

Hemograma, mielograma, coagulograma: como um erro de interpretação pode virar uma doença

Os laboratórios de análises clínicas dispõem de diversos métodos e exames que auxiliam os médicos nos diagnósticos de doenças de todos os tipos. Muito comuns, os exames de sangue são o ponto inicial para que o paciente receba informações precisas sobre alguma enfermidade que lhe acometa e, também, sobre o estado atual de sua saúde.
O hemograma, o mielograma e o coagulograma são os exames mais corriqueiros e mais utilizados para a triagem inicial de algumas doenças. E para entender a especificidade de cada um desses exames é importante conhecer sobre a fisiologia do sangue.
A medula óssea é o local de formação das células sanguíneas: leucócitos (glóbulos brancos), hemácias (glóbulos vermelhos) e plaquetas. A função primordial das hemácias é o transporte de oxigênio, dos leucócitos é a defesa do organismo e das plaquetas é a coagulação sanguínea.
O hemograma proporciona avaliação dos três componentes principais do sangue (eritrócitos, leucócitos e plaquetas) sendo constituído pela contagem das hemácias, hemoglobina, hematócrito, índices das células vermelhas, dos leucócitos (global e diferencial) e contagem de plaquetas. Importante exame de auxilio diagnóstico e de controle para doenças hematológicas e sistêmicas. É rotineiramente indicado para avaliação de anemias, neoplasias hematológicas, reações infecciosas e inflamatórios, acompanhamento de terapias medicamentosas e avaliação de distúrbios plaquetários. O hemograma orienta na diferenciação entre infecções viróticas e bacterianas, parasitoses, inflamações, intoxicações e neoplasias por meio das contagens global e diferencial dos leucócitos e avaliação morfológica dos mesmos.
O coagulograma é um exame de sangue que diagnostica doenças hemorrágicas e avalia as condições da coagulação do sangue. Engloba vários exames, como tempo de protrombina, tempo de tromboplastina parcial, tempo de sangramento, tempo de coagulação para triagem de verificação da hemostasia. O coagulograma é solicitado no pré-operatório ou para tratamentos que causam sangramento. Alterações do coagulograma são uma possível causa para a contra-indicação de cirurgias.
O mielograma resulta do material aspirado da medula óssea. Usado no diagnóstico de citopenias, leucocitoses, trombocitoses, gamopatias monoclonais, neoplasias e patologias hematológicas e metástases infiltrativas. É útil também em casos de infecções e parasitoses que podem acometer a medula óssea através da visualização direta dos patógenos e parasitas extra e intracelulares.
Um criterioso processo de coleta, armazenamento, transporte das amostras, execução, análise, digitação e liberação dos resultados são fundamentais para que os resultados desses exames tragam uma correta interpretação do estado clínico do paciente. "A padronização em todas as etapas dos procedimentos no laboratório é de fundamental importância para a obtenção da exatidão e da precisão dos resultados. Tudo isso também deve estar associado a instalações adequadas, equipamentos calibrados e pessoal capacitado", explica a hematologista, Patricia Fischer, médica hematologista do Hermes Pardini.
Durante as últimas décadas observou-se uma grande evolução tecnológica na realização desses exames, e as técnicas manuais têm sido substituídas por sistemas automatizados que apresentam maior precisão nos resultados e em um menor intervalo de tempo. Essas inovações mudaram a rotina dos laboratórios, tornando-os mais eficientes e ágeis, além de apresentarem uma melhor qualidade nos resultados. Para Patrícia, a automatização dos processos desses exames é vantajosa. "A automatização assegura a confiabilidade dos testes hematológicos em todas as fases, pois a padronização garante a eficiência dos resultados", ressalta.
No entanto, processos automatizados não estão isentos de erros, sobretudo, considerando-se dois aspectos: instrumentação e amostra. Em relação ao primeiro podemos citar os problemas relacionados com a má calibração do aparelho utilizado, assim como falhas elétricas ou mecânicas e flutuações de voltagem. Em relação ao segundo, o volume ou as características de fluxo da amostra podem afetar negativamente a precisão dos resultados.
Os avanços tecnológicos somaram confiabilidade aos resultados de hemogramas, coagulogramas ou mielogramas. Mas, para oferecer ao médico maiores possibilidades de interpretação correta desses exames, os laboratórios que já possuem equipamentos com grande estabilidade e precisão, devem evitar erros na fase pré-analítica, por meio de treinamento e monitoramento constantes dos processos de coleta, armazenamento e transporte do material biológico.
Fonte: HERMES PARDINI